Arquivo para julho, 2008


Encontrando as pechinchas do mercado: Value investing

Como já dizia o grande investidor Warren Buffet, “Preço é o que você paga, valor é o que você tem”.

Pense nessa frase e imagine que você possa comprar uma nota que vale R$ 1,00 por apenas R$ 0,60. Essa “metáfora” é utilizada freqüentemente para ilustrar o investimento em valor (value investing).

No mercado de ações, boa parte das empresas está com seu valor de mercado inferior ao valor intrínseco (“valor real” da empresa). Isso significa que você pode comprar boas empresas com grandes descontos.

Pela análise do Banco Safra divulgada hoje, poderíamos comprar ações da Usiminas hoje por R$ 62,95 (preço) quando na realidade elas valem R$ 103,50 (valor). Isso representa um desconto de 40%. O potencial de valorização pode ser melhorado ainda mais se pensarmos nas perspectivas de crescimento da empresa. Mas para este post, é o suficiente considerar que estamos pagando barato.

Com esse pensamento, é fácil entender o motivo pelo qual os investidores em valor dormem tranqüilo. Eles sabem que fizeram um bom negócio e não se preocupam com as crises, pois as utilizam como oportunidades de compras.

Não é apenas no mercado de ações que isso acontece. Revendedores de carros costumam pagar menos que o valor intrínseco do carro para conseguir uma margem de lucro maior. Pense agora no mercado imobiliário americano. O movimento de queda do mercado pela crise subprime está criando boas oportunidades para buscar desse desconto do valor intrínseco.

Como descobrir o valor intrínseco?

O valor intrínseco é encontrado através da análise fundamentalista com análise dos lucros, patrimônio líquido, fluxo de caixa descontado, perspectivas dos setores, entre outros fatores. A metodologia depende do modelo de valuation utilizado.

Para a maioria das pessoas, é suficiente acompanhar os relatórios e stock guides divulgados por grandes bancos e traçar uma média de valor intrínseco apenas para ter uma idéia da ordem de grandeza do “desconto” que estamos procurando.

Stock Guides abertos na internet:

» Banco Safra
» Elite Corretora

Como utilizar o investimento em valor para caçar pechinchas do mercado?

Como sempre dizemos, utilizar apenas um indicador é desaconselhável. Um bom desconto no preço de uma empresa pode embutir algum perigo judiciário ou má fase da empresa.
Não acredite sempre nos stock guides dos bancos. Nem sempre eles estão atualizados com o valor intrínseco justo e normalmente são ajustados trimestralmente e podem ficar defasados.

Recomendo a utilização desse indicador de “desconto” (100% – valor de mercado/valor intrínseco) apenas como um “filtro”. Uma utilização interessante seria restringir suas compras em papéis com descontos superiores a 40%, para minimizar os riscos. Nos próximos meses o mercado deve continuar em liquidação!

Compre barato e durma tranqüilo!

Pechincas do mercado de acordo com Stock Guide do Safra:
(lembre-se que um bom desconto nem sempre indica boa compra)

Empresa
Preço*
Valor*
Desconto*
Upside*
Petrobrás
R$ 35,16
R$ 55,13
36%
57%
Gerdau
R$ 31,50
R$ 48,32
35%
53%
Usiminas
R$ 64,25
R$ 103,50
38%
61%
Duratex
R$ 27,48
R$ 61,21
55%
123%
Ambev
R$ 89,50
R$ 166,50
46%
86%
1) Preço: Cotação em 29/07/2008
2) Valor: Stock Guide do Safra de 28/jul/2008
3) Desconto: (1 – Preço/Valor)
4) Upside: (Valor/Preço – 1)

Principais erros dos iniciantes da bolsa

Este post descreve alguns dos principais erros cometidos por iniciantes na bolsa. Para quem já sabe o que está fazendo, alguns dos itens podem não parecer um “erro”, mas sim uma estratégia de investimento.

1) Concentrar compras em um período curto de tempo

É muito comum ver iniciantes investindo grande reserva de dinheiro de uma vez só. Mas o mercado é imprevisível, não sabemos se estamos comprando antes de um período de grande queda.

Por esta razão, é interessante fazer compras em períodos espaçados para conseguir um preço médio justo. Boas oportunidades de compra surgem para aqueles que sabem aguardá-las.

2) Investir dinheiro que vai precisar no curto prazo

O movimento do mercado é imprevisível e irracional no curto prazo. Investir dinheiro comprometido, mesmo em uma excelente empresa sub-precificada, é uma péssima idéia. O mercado só passa a ser racional no longo prazo.

Muitos investem reservas financeiras em especulações de curto prazo e acabam vendendo as ações na baixa, exatamente quando precisam do dinheiro.

Para quem precisa do dinheiro no curto prazo, vale a pena investir em títulos públicos ou fundos de renda fixa. Caso opte pela primeira opção, procure casar o vencimento do título com a data em que vai precisar do dinheiro (se precisar do dinheiro em 1 ano, compre um título que vença em um ano).

3) Seguir carteiras mensais sugeridas por bancos

Bancos e corretoras costumam montar uma carteira concentradas com até 10 ativos e atualizam mensalmente. A idéia parece interessante, mas acaba sendo uma sacanagem com os investidores.

O grande problema é que o dinheiro gasto com corretagem e imposto de renda acabam corroendo o lucro (isso quando ele existe). Movimentar mensalmente a carteira dá muito trabalho, pois você pode acabar perdendo o incentivo de isenção de IR e precisa fazer cálculos mensais.

Nessa condição, o investidor acaba conseguindo rendimentos bem inferiores ao próprio Ibovespa. Quem fica rico, no final, são os bancos.

4) Comprar na alta e vender na baixa

Pode parecer óbvio que ninguém vai comprar na alta e vender na baixa. Mas quem segue a euforia o mercado, tem grandes chances de fazer isso.
Comprar quando todos estão comprando e vender no desespero quando todos estão vendendo, é seguir o mercado. E ao fazer isso, você pode perder muito dinheiro.

Buffet e outros grandes investidores ensinam que precisamos fazer o contrário. Comprar quando todos estão vendendo, e vender quando todos estão comprando (ou seja, comprar na baixa e vender na alta). Obviamente que as ações compradas precisam ser de empresas que se encaixam em sua estratégia.

5) Ficar 100% comprado em ações, sem reserva

Para investidores de longuíssimo prazo (20, 30 anos) pode até fazer sentido um posicionamento total em ações. Mas isso nunca deve ser feito.

O motivo é simples: Historicamente, o mercado sempre apresenta grandes quedas. Essas quedas são excelentes oportunidades de compra para quem possui reserva. Entre as últimas quedas estão:

  1. Nov/1998: Crise da Rússia;
  2. Dez/2000: Bolha da internet;
  3. Jan/2008: Sub-prime e recessão norte-americana.

Na bolha da internet, o índice Dow Jones caiu pela metade e o Nasdaq caiu para 1/3 de seu valor. Uma excelente oportunidade de compra para quem possuía reservas!

Graham propõe em sua obra The Intelligent Investor uma exposição entre 25% e 75% em ações e o restante em títulos. Quando mais precificado (“caro”) o mercado fica, menor a exposição em ações.

Nessa situação, sempre teremos uma reserva para comprar ações sub-precificadas após grandes quedas de mercado.

6) Misturar dinheiro especulativo com investimentos de longo prazo

É difícil ficar longe das especulações do dia-a-dia. O que não podemos fazer é confundir o dinheiro de longo prazo com o especulativo. Investimentos de curto prazo precisam ter objetivos bem definidos (tanto de lucros quanto de prejuízos).

Pessoas que não limitam a perda em especulação de curto prazo acabam deixando aquele prejuízo como um investimento de longo prazo. O problema é que na especulação, a empresa geralmente não é analisada em seus fundamentos e esse “investimento” desfundamentado acaba virando um pesadelo.

7) Seguir recomendações de blogs, fóruns e amigos

Suspeite de qualquer dica quente ou recomendação, mesmo que do seu melhor amigo. Afinal, quem vai amargurar o prejuízo é você. Mesmo aquelas “dicas quentes” que circulam nos bastidores do mercado financeiro podem ser perigosas, pois você pode ser o último e receber tal dica.

Isso é válido também para bancos, que às vezes recomendam empresas que nunca comprariam na mesma situação. Veja o caso Henry Blodget que recomendava, em nome do Merril Lynch, a compra de empresas que sabia ser um lixo.

O que eu considero muito perigoso são as recomendações que circulam na internet, fóruns e comunidades. Todos os dias eu vejo pessoas recomendando compra “micos” para iniciantes, que mal sabem que essas empresas não valem nada (a maioria delas está com patrimônio líquido negativo, ou seja, falida). Alguns exemplos: TELB4, TOYB4, WISA4, GAZO4, ESTR4, HOOT4.

Minha recomendação para quem está começando?

Leia muito! Relatórios, textos sobre grandes investidores, livros sobre análise fundamentalista, relatórios anuais das empresas. Em breve lançaremos a parte do blog com links para sites interessantes.

A partir de quanto dinheiro devo investir na bolsa?

Essa é uma pergunta que alguns amigos meus já me fizeram e eu acho que vale a pena um post para explicar.

A resposta é: A partir de qualquer quantia! A diferença é o jeito que você vai investir!

Para quantias pequenas de até R$ 2.000, recomendo investir através de fundos do seu banco. Todos os bancos dispõe de fundos de ação, sejam eles exclusivos da Petrobrás ou Vale ou fundos mais diversificados que investem em setores específicos ou que buscam seguir indicadores como o ibovespa.

Para quantias maiores, a partir de R$ 2.000 eu recomendo investir através de corretoras de valores.

Por que?

A explicação é puramente matemática. Mas antes eu irei explicar brevemente as taxas que são cobradas em cada caso.

No caso de um fundo de investimento

Quando você investe em ações através de um fundo de investimento, você paga o Imposto de renda e a Taxa de administração.

O imposto de renda de um fundo de investimento em ações é fixo em 15%.

A taxa de administração é a quantia que os bancos cobram para gerenciar o seu dinheiro. O valor costuma variar de 1% a 4% por ano e incide sobre o valor investido. Na tabela de rentabilidade do fundo, essa taxa já vem deduzida.

No caso de uma corretora

Quando você investe em ações através de uma corretora de valores, você paga o Imposto de Renda, a taxa de custódia e a taxa de corretagem.

O Imposto de Renda só é cobrado se você vender mais de R$20.000 num mês e obtiver lucros. Se vender menos do que isso você é isento.

A taxa de custódia é a mensalidade da corretora. Muitas corretoras hoje em dia não cobram mais essa taxa.

A taxa de corretagem é um valor que você paga quando faz uma compra ou uma venda de ações. Esse valor muda de corretora para corretora. A Ágora, por exemplo, cobra R$20,00 de corretagem e a Ativa R$15,00.

Explicando

Suponha que você vá comprar R$1000,00 em ações da Petrobrás.

Se você for aplicar pelo fundo do banco, não pagará nada pela compra, apenas o IR no saque e a taxa de administração anual.

Se você for comprar pela corretora (suponha que estamos usando a corretora Ágora). Você pagará só por fazer a compra, R$20,00 de corretagem. R$20,00 é 2% de R$1000,00 e isso nos diz que só para seu investimento pagar a corretagem ele terá que render 2%! E pior, quando você vender, você pagará mais R$20,00!!

Quando você for fazer compras acima de R$2000,00 a corretagem começa a ser diluída e aí sim começa a valer.

Observações extras

O imposto de renda, a taxa de custódia e a taxa de administração também devem ser analisadas na hora de escolher por qual meio investir, porém, para ser mais didático, preferi focar só na corretagem pois é onde incide o maior peso e os investidores inexperientes não tomam cuidado.

Existem muitas corretoras que cobram a corretagem levando em conta a quantidade de dinheiro movimentado. Nesses casos, é o calculo fica mais perigoso e essa regrinha dos R$2000 não se aplica.

Crédito da foto: Jay D

Gurus de investimento: Warren Buffett

Acredito que na vida sempre é bom termos pessoas como exemplo, seja pelos seus atos, pelo seu caráter, pelos seus pensamentos. Iniciaremos no blog uma série de posts sobre os maiores investidores do mundo para mostrar como pessoas normais tiveram grande sucesso financeiro investindo em empresas.

O primeiro guru de investimento que quero comentar é o que teve mais sucesso dentre todos, o Warren Buffett. Ele manteve o posto de homem mais rico do mundo por 13 anos e hoje possui uma fortuna estimada de 62 bilhões de dólares. Historicamente obteve um retorno anual de 22,3% durante 36 anos.

O método de Buffett é simples. Seus passos são facilmente seguidos por qualquer pessoa que consiga manter uma disciplina. Ele consiste basicamente em 4 passos, sendo que o primeiro deles é o mais difícil de obedecer.

Passo 1: Desligue-se do Mercado de ações

O mercado de ações é movido por pessoas. Pessoas são facilmente afetadas por emoções momentâneas. Se o mercado está bom as pessoas ficam eufóricas e excitadas, se ele está mal, a tendência é se deprimirem.

Buffett diz que um investidor nunca deve permitir que o mercado dite seus atos. Se você seguir a euforia momentânea da multidão, certamente terá um grande insucesso em seus investimentos.

Passo 2: Não deixe a economia incomodar

Como ocorre com o mercado de ações onde pessoas desperdiçam tempo se incomodando, o mesmo não deve ocorrer com os indicadores econômicos.

O futuro econômico é incerto, ninguém tem o poder de prevê-lo com exatidão. Buffett diz que o investidor que busca investimentos baseados em projeções econômicas é um tolo. Ele deve preferir empresas que lucre independentemente da economia, empresas que possam lucrar na maioria dos cenários.

É claro que forças macroeconômicas podem afetar os negócios, mas na média, as empresas escolhidas devem lucrar mesmo com esses declínios.

Buffett dá um simples exemplo, a maioria dos homens tem que se barbear e as mulheres se depilar, logo a Gillette é uma boa empresa para investir, pois seu mercado nunca deixará de existir.

Passo 3: Compre uma empresa, não uma ação

Estime o valor intrínseco da empresa. O valor que você pagar por ela deve ser em média 40% mais barato do valor intrínseco que estimou.

Buffett diz que uma empresa deve ser escolhida seguindo alguns princípios:

  • Simplicidade: as companhias devem ser fáceis de entender, o investidor deve saber claramente de onde vem o lucro, as vendas, a receita, as despesas da empresa
  • Experiência: a empresa deve ter passado em sua história por diferentes ciclos econômicos, ela deve mostrar habilidade suficiente para contornar dificuldades e aproveitar oportunidades
  • Perspectiva a longo-prazo: a melhor empresa é aquela que vende um produto necessário ou desejável e sem substituto próximo
  • Bons administradores: Um dos principais pontos é saber quem administra a empresa. O gerente é honesto com seus acionistas? Ele sabe como administrar sua equipe? Ele sabe como reinvestir os lucros?
  • Foque no patrimônio líquido não no lucro por ação: um investidor deve medir o desempenho da empresa pelo crescimento do patrimônio líquido e não por quanto a ação gerou de renda no período
  • Margem de lucro e reinvestimento: a empresa deve sempre trabalhar com uma alta margem de lucro e que para cada dólar retido a empresa deve ter aumentado pelo menos um dólar em seu valor de mercado

Venda suas ações somente quanto:

  • o valor de mercado ultrapassar significativamente o valor intrínseco
  • a empresa não estiver crescendo a uma taxa satisfatória
  • precisar de dinheiro para investir em uma empresa melhor

Passo 4: Seu portfólio de empresas

Buffett acredita que diversificar demais a carteira só é necessário quando os investidores não sabem o que estão fazendo. Ele diz que um investidor inteligente é capaz de escolher de cinco a dez companhias com preços sensatos e que possuam vantagens competitivas a longo-prazo, a diversificação tradicional não faz sentido.

LImite-se aos investimentos que consiga entender. De outra forma você nunca conseguirá medir o verdadeiro valor daquilo que investe.