Sempre olhei com bons olhos o setor de alimentos e o considero obrigatório em qualquer carteira de ações. Além da preocupação em não concentrar meus investimentos em commodities, acredito que seja um dos setores mais promissores no longo prazo.

O ritmo de produção de alimentos no mundo não vem acompanhando a demanda devido ao rápido crescimento populacional. Na revista Veja do ano passado, lembro da reportagem com o título Vai ter (comida) para todo mundo?” que começava com a frase: “O planeta mal consegue alimentar 6,7 bilhões de bocas hoje. O que ocorrerá em 2050, quando seremos 9,2 bilhões de terráqueos? A comida será cara e rara como nunca.

Neste setor, temos algumas opções de investimento: Sadia, Perdigão, Marfrig, JBS Friboi, M Dias Branco, Minerva, Açúcar Guarani. Neste post vou focar apenas em Perdigão e Sadia, pela semelhança entre as empresas e pela especulação que saiu hoje no jornal Valor Econômico sobre uma possível fusão entre as rivais.

Sadia e Perdigão em números

As duas empresas possuem faturamento e valor de mercado muito semelhantes, o que mostra que estão competindo lado a lado no setor. A grande diferença é na variedade de produtos oferecida pela Perdigão e quantidade de centros de distribuição. No caso de uma fusão, a unificação dos centros de distribuição causaria grande efeito sobre as despesas.

Os gráficos acima mostram que as rivais são quase idênticas no mix de produtos vendidos para o mercado interno e externo. No mercado doméstico, a receita de processados/industrializados é dominante. Já no mercado externo, o que prevalece é a venda de aves e suínos in natura.

O resultado de 2007 foi favorável à Sadia, que conseguiu maior margem de lucro.

Fusão entre Sadia e Perdigão

Grandes fusões entre rivais já aconteceram mo mercado brasileiro. Em 1999 nasceu a Ambev, com a junção entre Brahma e a Antarctica. Há pouco tempo nasceu a B2W – inicialmente formada por Americanas.com e Submarino.

Como resultado, as fusões fortalecem a empresa e geram uma economia gigantesca em sinergias. No caso da B2W, é estimada uma economia de 800 milhões com a unificação dos centros de distribuição, logística e outros cortes de despesas. De acordo com a matéria publicada hoje no Valor, a fusão entre Sadia e Perdigão poderia poupar até R$ 1,8 bilhão para a nova empresa.

A diferença nesta fusão seria o motivo: a situação financeira delicada da Sadia. De acordo com analistas, a situação também pode ser resolvida com injeção de capital pela entrada de novos investidores (provavelmente o BNDES).

O Banco Itaú divulgou um hoje um relatório considerando a fusão improvável, já que 2009 é um ano importante para a Perdigão consolidar suas aquisições. Além disso, o banco acredita que o BNDES não daria incentivos. A ajuda à Sadia se daria através do aumento de capital das ações ON (SDIA3) na ordem de R$ 1 bilhão.

Em 2006 a Sadia fez uma oferta hostil aos acionistas da Perdigão para conseguir o controle da companhia, mas não conseguiu aceitação da maioria (na época a Previ possuía mais de 50% do capital e recusou, em nome dos detentores de 55% do capital de empresa, recusou).

Apesar de ser uma especulação improvável, da para imaginar essa “nova empresa” seguindo os passos da Ambev na conquista pelo mercado mundial (nas devidas proporções, obviamente). Com receita anual de mais de R$ 20 bilhões e portfólio de mais de 3.000 produtos, ela seria líder nos segmentos de massas congeladas, carnes congeladas, pizzas congeladas, margarinas e carnes industrializadas.

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