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Comentários sobre IPO da Visanet

visaHoje a Visanet publicou o prospecto da oferta pública de ações. Resolvi escrever um post rápido apenas para citar alguns detalhes e comparar com outros IPOs como o da Redecard (nacional), Visa (internacional) e Mastercard (internacional).

Para começar, o investidor precisa entender que as ações vão apenas trocar de mão. A oferta é secundária, ou seja, antigos acionistas resolveram vender suas ações para o mercado. Isso significa que o dinheiro não será reinvestido na empresa.

Múltiplo P/L

No começo dos rumores do IPO, muito antes da crise e do Investment Grade, já havia separado alguns múltiplos interessantes de outras ofertas relacionadas.

  • Mastercard lançou suas ações no mercado americano com P/L 11.
  • Visa lançou suas ações no mercado americano com P/L 30.
  • Redecard lançou suas ações com P/L 20 e valorizou 30% no primeiro dia.

Atualmente a Redecard está com P/L próximo a 18x.
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Como diversificar ações por setores produtivos

Todos nós sabemos que diversificar uma carteira de ações é importante, porém nem todos sabem que é essencial ter uma estratégia sólida ao planejar essa diversificação. Nesse post quero focar num ponto que sei que muitos investidores não se preocupam: os setores que compõem sua carteira.

Na maioria dos Home Brokers do mercado, fica disponível para o investidor a lista de suas ações e a porcentagem de cada uma dela em sua carteira. Algo parecido com esse exemplo:
Composição de uma carteira

Papel Quantidade Valor Total %
PETR4 100 R$ 30,35 R$ 3.035,00 19%
VALE5 150 R$ 27,43 R$ 4.114,50 26%
GGBR4 200 R$ 12,14 R$ 2.428,00 16%
USIM5 100 R$ 27,00 R$ 2.700,00 17%
GETI4 50 R$ 17,80 R$ 890,00 6%
ITSA4 100 R$ 8,14 R$ 814,00 5%
BBAS3 100 R$ 15,98 R$ 1.598,00 10%

Porém é muito difícil saber se essa carteira é diversificada setorialmente, ou seja, será que eu não estou com muito dinheiro em mineração e pouco dinheiro em energia elétrica?

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Investimentos protegidos da inflação

Bruno Yoshimura, co-fundador do Kekanto.com
 » Siga-me no Twitter: @brunoyoshimura e no Linkedin
 » Leia sobre aluguel de ações: clique aqui

O investidor inteligente precisa garantir que seu dinheiro está protegido da mais silenciosa devoradora de patrimônio: a inflação. Quem deixou o dinheiro parado na conta bancária durante no ano passado, perdeu quase 6% em poder aquisitivo: R$ 100,00 depositados no começo do ano valiam apenas R$ 94,00 em dezembro.

Existem opções de investimentos com rentabilidade acima da inflação. Algumas delas são indexadas diretamente pelo indicador (os títulos públicos, por exemplo) e outras que garantem uma proteção indireta, causada pelo repasse de preços ao consumidor ou reajuste da receita pela inflação.
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A fusão entre Perdigão e Sadia

Sempre olhei com bons olhos o setor de alimentos e o considero obrigatório em qualquer carteira de ações. Além da preocupação em não concentrar meus investimentos em commodities, acredito que seja um dos setores mais promissores no longo prazo.

O ritmo de produção de alimentos no mundo não vem acompanhando a demanda devido ao rápido crescimento populacional. Na revista Veja do ano passado, lembro da reportagem com o título Vai ter (comida) para todo mundo?” que começava com a frase: “O planeta mal consegue alimentar 6,7 bilhões de bocas hoje. O que ocorrerá em 2050, quando seremos 9,2 bilhões de terráqueos? A comida será cara e rara como nunca.
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Entenda a recompra de ações

As ações da bolsa brasileira ficaram tão baratas que dezenas de empresas lançaram planos de recompra dos próprios papéis. Para os acionistas das empresas, essa é uma excelente notícia!

Nesses programas, as empresas costumam fixar um prazo para recomprar uma quantidade de ações no mercado. A Vale, por exemplo, aprovou um plano de recompra de aproximadamente R$ 5,6 bilhões, com prazo de 360 dias para execução.

As empresas que anunciaram tais planos provavelmente tem caixa em excesso, o que mostra uma situação financeira confortável para enfrentar a crise. Outro fator importante é que essas empresas consideram suas ações sub-precificadas (ninguém melhor do que a própria empresa para conhecer seu valor).
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Empresas para investir na crise

A forte volatilidade dos mercados está deixando muitos investidores enjoados. O sobe e desce da bolsa deve continuar nos próximos meses, principalmente pela incerteza das medidas emergenciais do governo americano para conter os efeitos da crise. Pode demorar muitos meses para o capital estrangeiro voltar e elevar o preço das ações a patamares mais justos.

A queda no preço das ações abriu grandes oportunidades de compra em todos os setores. Apesar disso, os investidores estão mais cautelosos em suas escolhas. Pensando neste cenário, resolvi selecionar algumas empresas que devem sofrer menos com a crise e a possível desaceleração do crescimento asiático.

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Empresas para investir no “boom” do setor de automóveis

Junto com a construção civil, as empresas relacionadas ao setor imobiliário impulsionaram o crescimento do PIB Industrial, que foi o principal destaque do primeiro trimestre de 2008.

Entre 2004 e 2007, a compra do primeiro carro 0 km cresceu 284%. Já neste ano, as vendas acumuladas até maio tiveram um crescimento de mais de 30% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Por esta razão, resolvi selecionar as principais empresas com capital aberto que são beneficiadas por este “boom” no setor. Não são apenas as montadoras que aumentam seus lucros. Existem também as seguradoras de veículos, fabricantes de peças de manutenção, sucroalcooleiras e concessionárias de rodovias.

Entre os fatores que contribuiram para o aquecimento do setor automobilistico estão:
» o alongamento do prazo de financiamento pelos bancos em até oito anos;
» crescimento da classe média (migração da classes “D” e “E” para C)
» redução da taxa de juros básica de 20% (2005) para menos de 12% (veja gráfico);

 

De olho no futuro:
» 85% dos carros produzidos serão Flex até 2010 (maior consumo de álcool);
» Carros chinêses começam a sers vendido no Brasil em 2008, com preço de popular
» financiamento longo pode causar inadimplência e desistência (aumento da venda de usados recém-comprados);
» continuidade dos investimentos no setor (com investment grade);

Das empresas listadas abaixo, recomendo estudo da Metal Leve, Fras-Le, Mangels, Plascar, São Martinho. Empresas que requerem grande cuidado e estudo: CCR, Cosan e seguradoras.

Petrobrás e Usiminas são excelentes empresas que fazem parte da carteira de muitos investidores fundamentalistas. Apenas recomendo cautela para compra nesse período eufórico. Muitas pessoas cometem o erro de concentrar as todas as compras em um intervalo muito curto de tempo, correndo o risco de pegar uma época de alta.

Empresa
Setor*
Valor*
P/L
P/VPA
Δ PL 5a
Δ Rec. 5a
Liq.*
Div*
Relatórios
Metal Leve

Pistões, Válulas

100%
1,2
9,8
2,23
10%
6,40%
1,3
0,76
Fras-le

Lonas de carros e caminhões

100%
0,4
9,7
1,93
150%
8%
2,23
0,68
Mangels

Rodas de Liga Leve e Aços

31%
0,3
7,4
1,34
50%
11,80%
2,13
1,76
Plascar

Pára-choques, painéis, portas

100%
0,8
16,6
3,03
27,20%
1,05
0,47
Sul América

Seguradora

27%
3
8,7
1,5
1,43
0,13
Porto Seguro

Seguradora

39%
4,4
12,1
2,39
200%
-46%
1,38
CCR

Rodovia e pedágios

100%
13
22,0
8,4
190%
18,80%
1,16
1,25
Petrobrás

Energia – Petróleo, Gás

416
17,1
3,45
185%
17,60%
1,31
0,35
Cosan

Álcool/Cana

33%
57,07
2,1
2,09
-29,80%
6,22
0,7
São Martinho

Álcool/Cana

44%
2,6
1,61
2,03
0,29
Usiminas

Aço, Placas, Auto Peças

21%
43,6
13,7
3,33
300%
9,10%
2,17
0,3
1) Setor: Porcentagem da receita relacionada com setor automotivo
2) Valor: Valor de mercado em bilhão (número de ações x preço por ação)
3) Liq: Liquidez Corrente (Ativo Circulante / Passivo Circulante)
4) Div: Dívida Bruta / Patrimônio Líquido

Indicadores positivos:
» Petrobrás, Usiminas e Fras-le pelo crescimento do patrimônio líquido em nos últimos 5 anos;
» Mangels e Sul América pelos múltiplos muito abaixo da média setorial;
» Plascar pelo forte crescimento da receita nos últimos 5 anos;
» São Martinho pelo P/VPA (seu valor do mercado está apenas 61% acima do seu patrimônio líquido);
» Mangels pelo P/VPA (seu valor do mercado está apenas 34% acima do seu patrimônio líquido);

Indicadores negativos:
» Cosan e Porto Seguro pela queda na receita líquida (negativo);
» Plascar, pela baixa liquidez corrente;
» CCR por estar com valor de mercado mais de 8x maior do que seu patrimônio líquido (P/VPA);
» Cosan, pelo P/L baixo (seria positivo, mas precisamos descobrir as causas)

Onde investir após Investment Grade – Small Caps

Após recebimento do segundo sêlo de investment grade pelo Brasil, os investidores precisam decidir em quais papéis apostar.

Neste post vou mostrar algumas opções interessantes, que seguem mais a linha de “investimento ativo”. Existem pequenas jóias do mercado que ainda não foram descobertas pelos estrangeiros e podem virar destaque pós-investment grade.

Que setores devem ser beneficiados?
O consenso do mercado é que as grandes beneficiadas serão as empresas que dependem de empréstimos de longo prazo, como as imobiliárias e bancos, e as diretamente ligadas ao consumo interno.

Largecaps ou Smallcaps?
É muito provável que o investidor tenha empresas como Petrobrás, Vale, Gerdau, Usiminas, Aracruz e VCP em sua carteira de longo prazo. O que muita gente não sabe, é que elas já possuíam o selo de grau de investimento muito antes do Brasil. Isto significa que já existiam fundos do exterior investindo nessas empresas.

Apenas agora, com o segundo sêlo, o Brasil passa a receber oficialmente o grau de investimento. Com isso, alguns fundos estrangeiros poderão investir nas small caps (muitos fundos utilizam a política de investir apenas em países com tal classificação).

A seleção de Small Caps e Mid Caps
Benjamin Graham chama de investidor empreendedor aquele que investe ativamente, analisando empresas em busca de jóias sub-precificadas. Abaixo faremos uma lista de algumas small caps e mid caps interessantes e cabe ao leitor, analisá-las com maior profundidade.

Obs: No exterior, costuma-se considerar mid cap empresa com valor de mercado inferior a US$ 8 bilhões (dólares) e small cap abaixo de US$ 1 bilhão.

As recomendações abaixo estão longe de formar uma carteira, mas podem servir de início para uma investigação mais apurada. Acredito que Small Caps e Mid Caps podem ser mais exploradas, principalmente pelos investidores jovens que tem o longo prazo a seu favor. Nos próximos vamos esclarecer melhor como analisar os indicadores abaixo (Liquidez, P/VPA, ROE, Crescimento de PL, entre outros).

Sadia (SDIA4)

Setor
Consumo
Preço Atual
R$ 13,80
Valor de Mercado
R$ 9,5 bilhões
P/L
11,83x
P/VPA
3,1x
Cresc. PL 5a
87%
ROE %
18%
Liquidez Corrente
1,97
Endividamento Geral
1,85
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Pontos positivos:
» Receita operacional cresceu 24% em 2007
» Taxa de crescimento nos últimos 5 anos superior a 10% ao ano.
» Demanda aquecida no mercado externo
» P/L abaixo da média do setor (Perdigão com P/L acima de 35x)
» Joint Venture com Kraft Foods no mercado de queijos
» Forte crescimento do patrimônio líquido, que cresceu 200% de 2001 para 2008. Isto mostra o compromisso da empresa em reinvestir os ganhos em novas fábricas, P&D (pesquisa e desenvolvimento) e aquisições.

Pontos negativos:
» Recente alta nas ações deixa menos espaço para valorização
» Perde competitividade com queda do dólar no curto-prazo, pois 50% das vendas são para exterior
» Embargo causado por problemas sanitários, principalmente no setor agícola (newcastle, gripe aviária).

Banco Pine (PINE4)

Setor
Bancário (Crédito)
Preço Atual
R$ 12,90
Valor de Mercado
R$ R$ 1,1 bilhão
P/L
6,71x
P/VPA
1,44x
ROE %
20%
Liquidez Corrente
1,21
Endividamento Geral
6,22
Download Relatórios

Pontos positivos:
» P/L muito baixo para o setor
» Crescimento de 98% no lucro líquido no 1T08.
» Crescimento de 133% na carteira de clientes empresariais (1T07 e 1T08)
» IPO recente no subprime penalizou as ações nos últimos meses.
» Captação mais barata no exterior, com o Investment Grade.
» Crédito consignado (descontado na folha de pagamento) reduz o risco de crédito e é um dos principais produtos do banco.

Pontos negativos:
» Empresa pouco líquida corre grande risco em momentos de crise (vide crise de liquidez atual dos EUA). O índice de liquidez corrente está em 1,2x, o que é baixo para uma empresa de crédito deste porte.
» Financiamento de automóveis em prazos longos pode trazer risco de crédito, já que o consumidor brasileiro não esta acostumado a esses longos períodos de financiamento.

Hypermarcas (HYPE3)

Setor
Consumo
Preço Atual
R$ 21,99
Valor de Mercado
R$ 3,3 bilhões
P/L
9,90x *
P/VPA
4,85x
ROE
???
Liquidez Corrente
1,38
Endividamento Geral
1,80
Download Relatórios
* Calculado a partir de nossa projeção do lucro líquido usando dados do 1T08

Pontos positivos:
» Investimentos em marketing e aquisições com dinheiro captado no IPO.
» Múltiplo P/L muito atraente para o setor (Unilever internacional está próxima de 16x).
» Valor intangível de marcas como Engov, Epocler, Zero Cal, Assolan não entram na contabilidade (não são mensuráveis).
» Crescimento de 32% no EBITDA ajustado (comparação entre 1T07 e 1T08).
» Diversificação do portfólio de produtos.

Pontos negativos:
» Índice de liquidez muito baixo para o setor. Natura, Saraiva, Drogasil, estão entre 1,5x e 2,4x.
» Recente alta nas ações deixa menos espaço para valorização
» IPO muito recente costuma apresentar alta volatilidade.
» A ação pouco negociada na bolsa (baixa liquidez de negociação).
» Lei do Silêncio: Bancos e corretoras não podem comentar a empresa em IPOs recentes. Cabe ao leitor analisar por conta própria, assumindo os próprios riscos.

Fertilizantes Heringer (FHER3)

Setor
Fertilizantes
Valor de Mercado
R$ 1 bilhão
Preço Atual
R$ 23,49
P/L
13x
P/VPA
2,0x
ROE
16%
Liquidez Corrente
1,30
Endividamento Geral
1,64
Download Relatórios

Pontos positivos:
» Múltiplo P/L e VPA muito atraente para o setor (Fosfértil com P/L em 23x e Yara Brasil 29x).
» Forte demanda com crescimento populacional e de renda. Setor em estágio inicial de ciclo de alta.
» Setor promissor de biocombustível/álcool.
» É indiferente a ‘modismo’ do setor agrícola, pois é utilizado em todos tipos de plantação (feijão, cana de açúcar, milho, soja, café, etc.)
» Forte crescimento nos resultados 1T08 (crescimento de 90% na EBTIDA e 81% na receita líquida).
» Redução em 31% nas despesas (de venda, gerais e administrativas). Com isso, a margem líquida subiu 7% em relação ao mesmo período do ano passado.
» Crescimento de 10% na fatia de mercado (Market Share subiu de 12,7% para 13,9%).
» Historicamente, o 3º e 4 trimestre apresentam resultados fortes e representam cerca de 70% das vendas. Por este motivo, pode ser interessante a compra desses ativos antes dos terceiro trimestre.

Pontos negativos:
» Crescimento no preço dos insumos para produção em mais de 70% nos últimos 12 meses.
» Redução na margem de lucro dos agricultores pode ser negativa para o setor, ainda mais com a valorização do real no curto-prazo.
» Sazonalidade causa discrepância nos resultados trimestrais.
» Boa parte dos insumos para produção dos fertilizantes são importados, o que pode ser negativo (mercado prevê valorização do dólar no longo prazo). Essa dependência cambial não pode ser compensada, já que a empresa está voltada para o mercado interno.

Mangels (MGEL4)

Setor
Rodas e Aço
Preço Atual
R$ 16,78
Valor de Mercado
R$ 294 milhões
P/L
7,76x
P/VPA
1,4x
Crescimento PL 5a
25%
ROE
18%
Liquidez Corrente
2.13
Endividamento Geral
2.47
Download Relatórios

Pontos positivos:
» Extremamente beneficiada com aumento da venda de automóveis
» Alongamento do financiamento do automóvel deixa mais dinheiro para usuários gastaram com acessórios (rodas de liga leve).
» Maior plano de investimentos da história, iniciado em 2007. No total, estão sendo investidos R$ 192 milhões entre 2007 e 2009.
» Mercado de aço aquecido (construção civil e setor de automóveis). A empresa vende para setores: automobilístico, construção civil, autopeças, eletrodomésticos.
» 94% da receita está ligada ao mercado interno, que é o mais beneficiado com o Investment Grade.

Pontos negativos:
» Endividamento elevadíssimo (Divida Bruta/Patrimônio está em 174%).
» Margem líquida apertada de 6%. A empresa precisa trabalhar para melhorar esta margem, com corte de despesas.
» Crescimento do patrimônio líquido baixo para o setor. De 2001 para 2008 o PL subiu apenas 42%, de 140 milhões para 200 milhões. Com este novo plano de investimento a empresa deve acelerar este crescimento nos próximos anos.