Bruno Yoshimura, co-fundador do Kekanto.com
 » Siga-me no Twitter: @brunoyoshimura e no Linkedin
 » Leia sobre aluguel de ações: clique aqui

O investidor inteligente precisa garantir que seu dinheiro está protegido da mais silenciosa devoradora de patrimônio: a inflação. Quem deixou o dinheiro parado na conta bancária durante no ano passado, perdeu quase 6% em poder aquisitivo: R$ 100,00 depositados no começo do ano valiam apenas R$ 94,00 em dezembro.

Existem opções de investimentos com rentabilidade acima da inflação. Algumas delas são indexadas diretamente pelo indicador (os títulos públicos, por exemplo) e outras que garantem uma proteção indireta, causada pelo repasse de preços ao consumidor ou reajuste da receita pela inflação.

A ilusão causada pela inflação

Você prefere receber rendimento de 10% em um ano com inflação de 5%, ou receber um rendimento de 5% em um ano sem inflação? Na prática, as situações são idênticas, pois o que importa são os juros reais (rentabilidade – inflação).

Muitas pessoas se esquecem de considerar a inflação na rentabilidade da carteira. Se considerarmos que um investimento em renda fixa pagou cerca de 12% de juros no ano passado, na realidade a rentabilidade nominal ficou próxima a 6% (pois os outros 6% são apenas para compensar a perda de valor do dinheiro).

Investimentos que protegem da inflação

1) Ações comuns

A inflação nada mais é que o aumento no preço de serviços e produtos, geralmente causados pelo crescimento da demanda e/ou aumento dos custos de produção e serviço (CPV e CSP). As empresas conseguem compensar esse efeito de aumento de preços, pois estes são repassados para os clientes, garantindo um maior pagamento de dividendos e elevação do valor das ações.

O problema é que este repasse de preços é eficiente apenas no caso de uma inflação branda. Um período de hiperinflação levaria a corte de gastos, reduzindo a atividade em toda economia. Deste modo, essa empresa pode não proteger seus investimentos de forma eficaz.

2) Ações com proteção da inflação: CCR e AES Tietê

Existem empresas que têm suas receitas atreladas a este indicador . Os grandes exemplos são as que dependem de concessões e contratos de longo prazo, cujas receitas são atualizadas pela inflação.

A empresa geradora de energia AES Tietê, por exemplo, possui fornecimento de energia contratado pela Eletropaulo a um preço ajustado anualmente pelo IGP-M. Desta forma, sua receita é bem previsível (a fatia variável da receita é correspondente ao crescimento da demanda por energia, muito correlacionado com o crescimento do PIB).

Outro exemplo de empresa é a CCR, que reajusta as tarifas dos pedágios de acordo com a inflação.

3) Renda Fixa: títulos com proteção da inflação (NTN-B e NTN-C)

A opção mais segura são os títulos do governo indexados pela inflação.

Ao comprar os títulos do governo pelo Tesouro Direto, você já sabe de antemão qual a rentabilidade real do investimento, independente da inflação anual. Por exemplo, hoje você poderia comprar um título NTN B Principal com vencimento em 2015 que vai pagar 7,58% acima da inflação. Caso a inflação do período fique na casa de 5%, sua rentabilidade nominal será de 5% + 7,58% = 12,58%.

Rentabilidade total = Taxa contratada + Inflação

O interessante é que podemos comparar esse tipo de título com os totalmente prefixados (que estão pagando até 13% ao ano, independente da inflação). Por embutir o risco de uma inflação mais alta do que a esperada, esses títulos pagam um prêmio.

Ajustando os cálculos para o primeiro milhão

Quem sonha em acumular o primeiro milhão, deve ter consciência que um milhão de hoje não valerá tanto no futuro. Em 14 anos de inflação de 5% ao ano, este dinheiro estará valendo menos que R$ 500 mil em valores atuais.

Para fazer os cálculos corretamente, deve-se usar a rentabilidade real. Nos dias de hoje, uma rentabilidade realista em títulos seria da ordem de 7% ao ano e não 12%.