Sempre tive a impressão que grandes bancos querem empurrar produtos pouco rentáveis para nós e muito lucrativos para eles. Não são apenas os micos dos Títulos de Capitalização, mas também fundos com taxas de administração abusivas. Suspeito que os gerentes têm cotas mensais para vender esses micos, pois vivem ligando para oferecer.

Assistindo a palestra do Cerbasi na Expo Money, lembro dele falando que atingiu seu primeiro milhão fazendo decisões inteligentes sobre seus investimentos.

Uma das decisões que tomei foi não aceitar taxas de administração abusivas cobradas pelos bancos. A motivação para escrever este desabafo é para mostrar como o brasileiro é desinformado, deixando os grandes bancos roubarem suas economias.

Abaixo veremos que os populares fundos de Renda Fixa e DI são formados basicamente por títulos do governo, que podem ser comprados diretamente pelo Tesouro Direto com taxas administrativas bem menores.

Composição dos fundos de Renda Fixa e DI

Em geral, os fundos DI aplicam boa parte do seu patrimônio em títulos do governo com taxa pós-fixada do tipo LFT. Os fundos de Renda Fixa investem em títulos privados e públicos pré-fixados (LTN, NTN), promissórias e fundos imobiliários.

Em geral, os grandes bancos oferecem fundos de Renda Fixa e DI com boa parte do capital investido no Tesouro Nacional, cobrando taxas de administração de até 5% (lembre-se que essa taxa é sobre o capital total investido e não sobre o lucro). Adicione isso ao Imposto de Renda de pelo menos 15% e você terá um rendimento muitas vezes inferior à poupança.

Por que o brasileiro não economiza essa taxa e investe diretamente no Tesouro Direto? A resposta é simples: ninguém conhece o Tesouro Direto e os grandes bancos não têm interesse em divulgá-lo. Até Novembro do ano passado, o Tesouro Direto acumulou apenas 100 mil investidores.

A decisão inteligente

Para minimizar essas taxas de administração, podemos escolher entre as opções:

1) Continuar investindo nos grandes bancos, escolhendo fundos com taxas menores (em geral, a aplicação inicial é bem maior). Caso não tenha dinheiro suficiente para entrar em um fundo com taxa menor, converse com seu gerente. Ele tem o “poder” de deixar você investir nestes fundos (eu mesmo já consegui);

2) Procurar fundos em outros bancos, que ofereçam taxas mais atrativas (menores que 2%);

3) Aplicar diretamente no Tesouro Nacional, pagando taxa de 0,4% ao ano para CBLC e a taxa do Agente de Custódia (que varia de 0% a 4%). Neste caso, vale à pena verificar as melhores taxas no ranking oferecido pelo site do Tesouro . É engraçado ver que mesmo para o Tesouro Direto, alguns bancos cobram 4% sobre o Tesouro – um roubo!

Faz diferença?

Vamos comparar dois investimentos com rentabilidade total de 12%. O primeiro com taxa de administração de 4% a.a. e o segundo com 2% a.a. (um exemplo realista de quem migrou de um fundo de renda fixa de um grande banco para o Tesouro Direto custodiado por uma corretora de valores ou banco menor).

Nosso exemplo
R$ 10.000 investidos em um fundo com rentabilidade total de 12%, pelo período de 20 anos.

Taxa de administração de 4% (rentabilidade de 8% líquida de administração)
R$ 46.609,57 (366% de rentabilidade)
Taxa de administração de 2% (rentabilidade de 10% líquida de administração)
R$ 67.274,99 (573% de rentabilidade)

Nossa decisão inteligente nos fez render 56% a mais em lucros! Veja que algumas corretoras oferecem taxas para o Tesouro Direto inferiores a 0,2% ao ano. Isso representa uma taxa total de 0,6% ao ano (0,4% para CBLC e 0,2% para a corretora).

Taxa de administração de 0,6% (rentabilidade de 11,4% líquida de administração)
R$ 86.637,08 (766% de rentabilidade)

Decisão inteligente e simples, com resultados notáveis!

Obs: Seria errado generalizar os fundos RF e DI. Muitos deles buscam rentabilidades maiores alocando parte do capital em títulos privados e debêntures, que possuem rendimento superior (e maior risco). Mas as taxas de administração acabam com este rendimento extra.

Crédito da foto: wilhei