A euforia após divulgação do título de Investment Grade pela agência Standard & Poors foi grande no mercado de renda variável, mas pouco se falou sobre os efeitos no mercado de renda fixa.

Taxa básica de juros sobe no curto prazo

O Banco Central interrompeu os cortes da taxa básica de juros (Selic) e o mercado acredita em uma possível elevação desta no curto prazo, causada pela inflação. Entre os principais motivos da inflação de 2008 podemos citar:

  1. a alta no preço dos alimentos causada pela elevação da demanda global, aquecimento do mercado de biocombustíveis e aumento de quase 100% no custo da matéria prima de fertilizantes.
  2. fim do efeito deflacionário causado pela valorização do real;
  3. aquecimento do setor imobiliário impulsionando alta do cimento e ferro.

Efeitos do Investment Grade na Renda Fixa

Apesar da correção (para cima) da taxa de juros no curto prazo, a tendência para o longo prazo é a retomadas nos cortes. É uma questão básica de oferta e demanda. Com maior oferta de capital estrangeiro para as empresas do Brasil, o taxa de juros necessária para “seduzir” os investidores é menor e empréstimo fica mais barato.

Vamos citar dois movimentos importantes que devem acontecer com a obtenção do título de IG no mercado de renda fixa no Brasil:

1) Investimento estrangeiro em títulos
Investidores e fundos de pensão internacionais darão mais atenção aos títulos públicos e privados brasileiros, uma vez que estes são considerados mais seguros e rendem a uma taxa superior a 10% ao ano. Apenas para ilustrar, o cenário atual dos EUA mostra uma taxa de juros inferior à inflação, ou seja, em um investimento de curto prazo em Renda Fixa (Bonds) com taxa de juros atual, o dinheiro se deprecia.

É importante notar que este investimento que será despejado no Brasil ao longo dos próximos anos será menos especulativo que no passado.

No longo prazo, a redução na taxa Selic e o aumento dos investimentos estrangeiro podem ajudar no efeito de “Alongamento dos títulos”, ou seja, no aumento da emissão de papéis de longo prazo (Atualmente o Brasil já emite títulos públicos federais através do Tesouro Direto com vencimento em 2045).

2) Empréstimos mais baratos no exterior
Empresas brasileiras vão buscar empréstimos de longo prazo no mercado externo a taxas menores. Isso causa uma redução na oferta de títulos privados de maior risco (Ex: Debêntures) no mercado interno. Esses títulos, que sempre renderam a taxas acima do CDI (e Selic), vão se tornar escassos no mercado. No Banco Itaú, por exemplo, o fundo “Itaú Top Renda Mix Crédito Privado” que investe grande parte do capital em títulos privados está fechado para captação. Por este motivo, sugerimos a manutenção desse tipo de título/fundo na carteira.

As maiores beneficiadas desse fluxo de capital são as empresas que dependem muito do empréstimo de longo prazo. Note que as ações das empresas que dependem desses empréstimos subiram bastante na semana da divulgação do IG. Como exemplo podemos citar construtoras e empresas com alta alavancagem (bancos).

Renda Fixa e Câmbio

Os estrangeiros que já investiam em renda fixa no Brasil conseguiam rendimento dobrado. Além das excelentes taxas dos títulos brasileiros, os estrangeiros ainda ganhavam no saque desses títulos pelo efeito cambial (Real se valorizou no período do investimento).

Com a continuidade na oferta de dólares devido ao fluxo de investimento estrangeiro, o real deve continuar sua valorização frente ao dólar no curto prazo. Por este motivo, os estrangeiros continuarão a ter este rendimento dobrado no curto prazo.

Vale notar que para o longo prazo, o mercado ainda acredita na recuperação dos EUA da crise subprime e recessão.

Pré-fixado ou pós-fixado?

Escolher em um título pré-fixado ou pós-fixado depende da decisão do BC sobre o aumento ou corte na taxa Selic.

Seguindo o mercado, o investidor deveria investir:

– em pós-fixado, para investimentos de curto-prazo

– em pré-fixado, para investimentos de longo-prazo

Isso se deve a aposta do mercado para o aumento na taxa básica de juros para controlar a inflação no curto-prazo, mas a continuidade no corte para o longo prazo.