Depois da percepção de que a crise no Brasil não é uma simples marolinha, o Banco Central optou pela redução da taxa básica de juros.

A notícia é boa para as empresas, excelente para o mercado de ações e ruim para os investidores em renda fixa, que terão que se contentar com rentabilidades de um dígito (abaixo de 10%).

Queda dos juros e o mercado de ações

Existem dois impactos principais no mercado de ações. O primeiro é a maior procura dos investidores por ações, já que a renda fixa vai pagar cada vez menos.

Se pensarmos no conceito de margem de segurança, o corte na SELIC faz com que muitas empresas fiquem mais atrativas do que um investimento em renda fixa (ou seja , o poder de lucro de muitas empresas passa a ser superior à SELIC).

O segundo impacto é mais relacionado com a economia: o corte nos juros é um combustível para o crescimento das empresas como um todo. Com os juros mais baixos, teremos:

  • consumo estimulado por empréstimo mais barato (consumo de produtos, carros e imóveis);
  • empresários abrindo o seu próprio negócio, já que a renda fixa está pagando pouco e o crédito está mais barato (envolve o conceito de custo de oportunidade entre rendimento de renda fixa vs. abrir negócio próprio);
  • empresas investindo mais em crescimento próprio, pois a despesa financeira com juros fica mais barata;

Impacto nas ações que pagam bons dividendos

As ações das empresas com alto dividend yield têm uma correção imediata quando ocorre um corte de juros, elevando a cotação no curto prazo. Isso acontece porque muitos investidores vêem este tipo de investimento como se fosse renda fixa.

Por exemplo, imagine que as ações da Eletropaulo estejam pagando 12% de dividendos ao ano e um investimento em renda fixa também esteja com a mesma taxa. Se o governo reduzisse a taxa de juros para 10%, a Eletropaulo estaria pagando 20% a mais do que um investimento em renda fixa. Os investidores imediatamente correriam para comprar as ações da Eletropaulo, por estarem mais atrativas e acabam elevando o preço das ações.

Obs.: Lembre-se que, para considerar este raciocínio, você deve considerar o lucro líquido de imposto de renda e taxa de administração do banco.

Impacto na renda fixa

Os investidores em renda fixa passaram por um período em que a rentabilidade chegava próxima a 20% ao ano em 2004 e 2005. Agora terão que se contentar com rentabilidades próximas a  8% ao ano (líquidas de imposto de renda).

Renda fixa no curto prazo:
O corte de juros, no curto prazo, causa uma valorização em fundos e títulos pré-fixados. Isso acontece porque esses papéis vão pagar (no futuro) uma taxa de juros maior do que a atual.

As taxas dos títulos pré-fixados NTN-B chegaram a 10% (acima da inflação) em Novembro de 2008. Com o corte dos juros, hoje estão próximas a 7%. Como conseqüência, houve uma valorização de quase 25% dos papéis no curto prazo.

Renda fixa no futuro:
Independentemente do comportamento dos juros nos próximos trimestres, temos uma tendência natural de redução da SELIC. Isso faz com que este tipo de investimento seja cada vez menos atrativo.

O ideal é casar o prazo do investimento com a expectativa dos juros. Se você acha que em 3 anos a tendência é de queda dos juros, deve comprar um título pré-fixado (ou fundos RF) com este vencimento.  Já se sua expectativa é de alta nos juros, deve comprar títulos pós-fixado (ou fundos DI).

E agora?

Esta é uma boa hora para o investidor pensar em migrar parte da carteira de renda fixa para o mercado de ações. Ainda existem muitas empresas sólidas e sub-precificadas no mercado. Vou citar algumas que merecem atenção: Itaúsa, Randon, Confab, Banco do Brasil, Marcopolo, Usiminas.